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Erika Heidi

Bebês/ Gravidez/ Maternidade

Comparação e impaciência: ladrões da felicidade

Qual é o segredo para uma maternidade mais positiva? O que pode ajudar mães de primeira viagem a terem uma experiência mais leve e harmônica? Rede de apoio, divisão das tarefas domésticas, familiares que respeitam as escolhas dos pais, amigos que ouvem sem julgar… Existem muitas coisas, pequenas e grandes, que podem ajudar o dia-a-dia de uma mãe. Mas uma mãe pode ter todas essas coisas e ainda assim não se sentir feliz, bem como uma mãe pode ser feliz e realizada (mesmo em meio às dificuldades) sem ter nada disso. O que eu queria falar mesmo aqui era sobre duas coisas que roubam toda a sua energia e a sua felicidade; essas duas coisas estão relacionadas, se aplicam a todos, porém são muito gritantes para as mães e em especial as mães de primeira viagem: *comparação* e *impaciência*. 

Pense em toda a sua vida até aqui, e como cada pequena decisão que você tomou influenciou na sua jornada até esse momento, construindo o que você é hoje. Você é um ser único, com experiências pessoais únicas. Quando juntamos todos os indivíduos da família, cada um com suas experiências únicas, e um bebê que também tem suas necessidades únicas, temos uma dinâmica que é como uma impressão digital, um floco de neve… tão exclusiva que nenhuma outra família terá igual. Então como ainda teimamos em fazer comparações, entre famílias e bebês? É claro que, olhando de fora, a grama do vizinho sempre vai ser mais verde. Você não conhece os desafios daquela família, daqueles indivíduos. 

O bebê da vizinha dorme a noite toda! Mas ele já tem 10 meses e ainda não engatinha. A bebê da prima começou a engatinhar com 6 meses, come de tudo, mas acorda 10 vezes durante a noite. O bebê da amiga toma leite artificial, está se desenvolvendo normalmente mas não quer comer sólidos. O que todos esses bebês têm em comum? Uma mãe que sofre e até se culpa por alguma razão que está totalmente enraizada em comparações. Quando, na realidade, não há nada de anormal em nenhum dos casos, apenas bebês diferentes que nasceram em lares diferentes, com dinâmicas diferentes. 

A impaciência vem de não saber esperar o tempo da natureza, o tempo do bebê. Mais uma vez, essa impaciência de querer ver o bebê andando e falando com 6 meses é fruto da comparação, por isso as duas coisas estão relacionadas. E somos tão impacientes que até na gestação queremos interferir, agendando cesáreas e decidindo pelo bebê quando é a hora certa pra nascer… 

A comparação e a impaciência são ladrões da felicidade. Porque direcionam tua energia para o exterior, tiram o teu foco das coisas que são importantes e te impedem de viver o momento presente. É preciso muita vigilância para manter esses ladrões fora da tua casa; é uma luta diária que alguns dias ganhamos, outros dias perdemos. Mas é importante continuar lutando. 

Viver no presente; conectar-se ao seu bebê e suas necessidades únicas, inerentes à sua personalidade e individualidade; silenciar os julgamentos e a culpa; respeitar o tempo da natureza; exercitar a gratidão. Essas são as batalhas diárias de uma maternidade positiva. 

Gravidez/ Maternidade

Por uma maternidade mais positiva 

Maternar é difícil sim. Rola medo, insegurança, uma puta solidão… E cansaço, muito cansaço. Isso aí é o pacote padrão. Acontece que cada pessoa tem uma experiência de vida muito particular, e existe uma série de fatores que podem ajudar ou atrapalhar na vivência da mulher que se torna mãe – esses são os “extras”: situação financeira, rede de apoio (ou ausência total de uma), saúde (física e mental), participação do pai na criação do bebê, educação /acesso a informação de qualidade, e até mesmo a forma que aquela mulher mãe vivenciou a experiência do parto. Uma mulher que sofre violência obstétrica tem mais chances de ter dificuldades iniciais com a amamentação e problemas na recuperação pós parto, o que certamente irá deixar muitas impressões negativas em sua experiência como um todo. 

Mas deixa eu te dizer uma coisa: na verdade, não é que a maternidade seja difícil. *Viver* é difícil. Na maternidade a gente se dá mais conta disso, porque fica tudo muito exposto, à flor da pele: sentimentos muitas vezes contraditórios, incertezas, culpa. Tudo potencializado pelo desejo de fazer sempre o melhor pela cria. Claro que, da mesma forma que os sentimentos negativos são potencializados, os sentimentos positivos são se transbordar o coração: amor, de um jeito que você nunca imaginou. Devoção. Gratidão. Um sentimento de estar (quase) sempre maravilhado pela mágica que é o desenvolvimento de um bebê. 

A forma que a gente encara isso tudo é que faz a diferença. No dia em que você enxergar as dificuldades da vida como um mecanismo de aprendizado e melhoramento pessoal, quando você conseguir extrair o que cada experiência tem a te ensinar e o lado positivo de cada coisa, você se sentirá livre. Livre, porque você sai de uma posição de vítima para uma posição de poder, de protagonista. 

“Ah, mas isso que estou passando não está certo, não é justo comigo.” Quando a gente se apega a esse pensamento, ficamos inertes, e com a inércia não tem mudança, não tem progresso. É como se tivesse uma âncora presa nos nossos pés. Eu sei que isso parece papo de auto-ajuda, mas que seja, porque não tem coisa melhor que enxergar um padrão que se repete na nossa vida e conseguir modificá-lo. 

Vai ter momento difícil? Vai. Tem como ser “zen” o tempo inteiro? Eu não sei, eu mesma não consigo. Mas tento. Respiro fundo, penso em soluções. Plano A, plano B, plano C. “Putz, não acredito que ela já acordou. Tá cedo demais pra pensar”. Respira, não pensa muito então. Olha bem pro rostinho desse bebê, e lembra que daqui uns anos tudo será diferente e você sentirá saudades… 

Gravidez

A sua barriga jamais será a mesma

Uma das coisas que a gente ouve e nos dá medo quando estamos grávidas pela primeira vez é que “a sua barriga jamais será a mesma”…

Sim, a minha barriga nunca mais será a mesma de antes. Antigamente, quando passava as mãos pela minha barriga, eu sentia por vezes vergonha ou insegurança. A relação que tinha com o meu corpo não era saudável: eu me sentia incapaz, por não alcançar o ideal das revistas. Hoje, quando passo as mãos pela minha barriga, eu sinto orgulho! Sinto uma extrema admiração pelo meu corpo, por ter sido um casulo perfeito, capaz de gerar um ser humano e sustentá-lo por 9 meses. Me vêm apenas lembranças boas, e até saudades… Como era bom sentir a vida crescendo na minha barriga! Tanto movimento, tanta expectativa. Acordar com pequenos chutes, tentando adivinhar a posição em que o bebê estava. 

Sim, a minha barriga nunca mais será a mesma de antes. Quando olho no espelho, não vejo uma pele flácida ou estrias; vejo um receptáculo fantástico que abrigou o meu bebê por 9 meses. Vejo uma máquina maravilhosa de criar e sustentar vida, aperfeiçoada por milhões de anos de evolução, capaz de transformar minúsculas células em um ser humano perfeito, novo em folha. 

Eu não sinto vergonha das minhas marcas: pelo contrário. Carrego-as com o orgulho de quem de repente descobriu uma força oculta, um poder que estava adormecido. Meu corpo é fantástico!

Featured/ Receitas/ Vegan

Muffins de Banana – vegan, gluten free 

Muffins de banana - vegan, gluten free

Esses dias me deu a maior vontade de comer um bolinho / cupcake / muffin, mas estou evitando comer glúten (além de que meu marido também tem sensibilidade ao glúten e não gosto de cozinhar só pra mim) e não estava muito na vibe de chocolate. Então lembrei do bolo de banana que a minha mãe faz, tão bom… Vegano, mas levava farinha normal. OK. Resolvi procurar na Internet alguma receita glúten free, porque apenas substituir a farinha de trigo quase nunca dá certo!

Um problema comum de pães e bolos sem glúten é que não costumam ficar tão fofinhos quanto os que usam farinha tradicional. Não sei por que.

Encontrei essa receita da Minimalist Baker e achei bem interessante, diferente, além de estar com uma cara ótima! Também confio nas receitas desse site, das que fiz até hoje todas ficaram ótimas. Acontece que eu não tinha todos os ingredientes, então acabei adaptando algumas coisas.

O resultado foi muito melhor do que eu esperava! Os muffins ficaram muito deliciosos, gostinho bom de banana, fofinhos, e com um topping crocante que parece até cookie.

Essa massa é diferente mesmo, ela não parece massa de bolo comum. Fica super consistente.

Massa pronta

Apesar de levar fermento, esses bolinhos não crescem. Mas ficam muito fofinhos! Então você pode encher as forminhas até o topo MESMO. Não tenha medo, dá tudo certo no final 😀

Pronto pra ir ao forno

O resultado são esses bolinhos lindos, fofíneos e com topo crocante <3 parece uma mistura de Muffin e cookie!

Muffins de banana - vegan, gluten free

Muffins de Banana - Vegan e Gluten Free

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Serves: 12 Cooking Time: 30 minutos

Ingredients

  • 1 colher de sopa de sementes de linhaça
  • 1 e 1/2 colher de sopa de água
  • 3 bananas grandes maduras
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 1/2 xícara de açúcar de côco
  • 2 colheres de sopa de xarope de Agave ou Mapple ou melado de cana
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • 1 pitada de sal marinho
  • 1/2 colher de chá de canela em pó
  • 3/4 de xícara de leite vegetal
  • 1 e 1/4 de xícara de farinha de côco (pode substituir por outra farinha sem glúten)
  • 1 e 1/4 de xícara de aveia em flocos
  • 1 e 1/4 de xícara de farinha de amêndoas (pode fazer batendo amêndoas no processador ou liquidificador até ficar uma farofa / farinha)

Instructions

1

Comece preparando uma forma de muffins, colocando forminhas de papel. Coloque o forno pra pré-aquecer em 190 graus.

2

Coloque a linhaça junto com a água em uma bacia média / grande. Deixe descansar por 5 minutos.

3

Adicione a banana, o fermento e o bicarbonato. Amasse bem a banana e misture tudo. Não vai ficar homogêneo, é normal.

4

Vá adicionando todos os ingredientes na ordem, até o leite. Misture tudo muito bem.

5

Agora adicione as farinhas e misture. No final, vai ficar uma massa grossa, parecendo massa de cookie (nem parece mesmo massa de bolo, é assim mesmo. Veja a foto no post)

6

Divida a massa nas forminhas. Pode encher bem mesmo! Veja foto no post para referência.

7

Leve ao forno pré-aquecido em 190 graus por 28 a 33 minutos - faça o teste do palito para se certificar. Aqui no meu forno dá 30 minutos, pra ficar com a parte de fora crocante e dentro fofinho.

Notes

Você também pode experimentar usar uma forma de silicone e descartas as forminhas de papel, eu não testei, mas pode dar certo. Aqui usei uma forma de alumínio de muffins / cupcakes para 12 muffins.

Maternidade

Romantização x Demonização

Ultimamente tenho visto cada vez mais textos e postagens nas redes sociais criticando e combatendo a romantização da maternidade. Na verdade, salvo um post aqui e ali falando positivamente sobre o ofício de ser mãe e o amor incondicional que a gente descobre, os posts que mostram as dificuldades e sofrimentos da maternidade, muitas vezes ilustrados por imagens de “expectativa vs realidade” são a maioria! Então, será que estamos mesmo vivenciando uma romantização da maternidade, ou esses valores já se inverteram sem que a gente se desse conta, e agora o que está em alta mesmo é a demonização da maternidade? 

Eu não sei, mas acredito que precisamos buscar um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos. Maternar é difícil, mas quem disse que viver, no geral, seria fácil, somente curtição? A vida é cheia de desafios e etapas, e é exatamente nesse caminhar que aprendemos a ser pessoas melhores. É nisso que acredito; acho que a evolução e melhoramento como indivíduo é o ofício do ser humano, o fato de sermos seres inteligentes nos traz imensa responsabilidade. 

O bom da maternidade é que você tem 9 meses pra se preparar. Isso é quase um ano! A natureza é muito sábia, por isso não traria uma mudança desse calibre na sua vida de um dia pra noite. Então, ao invés de absorver toda a negatividade dos que demonizam a maternidade ou se alienar com a superficialidade das otimistas congênitas,  procure informação real, fatos. Procure relatos de experiências pessoais também, mas sempre tendo em mente que todo mundo tem experiências diferentes. Leia um bom livro sobre amamentação, mas não esqueça que o parto e as intervenções sofridas pela mãe e pelo bebê também vão influenciar o sucesso da amamentação. E quando o parto empodera a mulher, imagina como isso influencia o puerpério? Está tudo conectado. Mas não acredite em mim, busque se informar de verdade. Esse é o preparo. 

Primeiro se empodere com conhecimento, para que depois possa se empoderar com a experiência. 

Featured/ Maternidade

Mamãe: seja como a água

Se pudesse dar um conselho a mim mesma enquanto grávida, eu diria: “futura mamãe, seja como a água!”

Como diz Bruce Lee em uma cena famosa do seu filme ‘Enter the Dragon’ :

“Esvazie sua mente de modelos, formas, seja amorfo como a água. Você coloca a água em um copo, ela se torna o copo. Você coloca a água em uma garrafa, ela se torna a garrafa. Você coloca ela em uma chaleira, ela se torna a chaleira. A água pode fluir, a água pode destruir. Seja água meu amigo.”

E sabe por que isso é tão importante para a mamãe de primeira viagem? Porque cuidar de um bebê, especialmente um recém nascido, é sempre uma caixinha de surpresas. Não é possível prever, estabelecer rotinas, seguir horários à risca. Mesmo quando você já se sente segura o suficiente para fazer planos, precisa sempre de plano A, B, C… Porque tem dias que o bebê dorme cedo, ou tarde demais. Acorda antes ou depois do previsto. Tem dias que o bebê precisa de mais, ou menos atenção. Haverá saltos de crescimento, quando o bebê sentirá a necessidade de mamar o tempo todo. Haverá também dias em que o bebê simplesmente não está de bom humor, coisa que acontece com gente grande também! Além disso, o método infalível pra fazê-lo dormir hoje pode não funcionar amanhã ou depois. Bebês se formam na água, e com ela aprendem a fluir desde cedo: pedem o que necessitam sob demanda, não porque querem te manipular ou controlar tua vida, mas porque precisam, e ponto final. Eles não seguem uma agenda.

Alguns dias, talvez você não consiga comer na hora que deseja. Talvez você não consiga tomar banho ou até escovar os dentes; pode ser que você passe o dia de pijama, e dificilmente consiga ir ao banheiro. E se você não fluir como a água, mamãe, você sofrerá! Sofrerá por não se sentir no controle, por tentar em vão manter uma forma sólida quando o que o bebê pede de ti é a flexibilidade de estar ali com ele, se moldar a ele e deixar fluir.

Quando você sentir que está tendo um dia “daqueles”, os ombros tensos e rígidos, a mente numa espiral de ansiedade torcendo pra que o bebê durma logo e você consiga resolver uma pendência ou simplesmente tomar um banho, feche os olhos, respire fundo três vezes e diga pra si mesma: “hoje eu serei como a água!”

Poeminhas

Poeminha de flor

Veio numa tarde de sol

Fez morada no meu peito, como se fosse um passarinho

Minha flor, meu bem querer

Fizeste do meu ventre um jardim, e dos meus braços fizeste um ninho. 

Minha flor, meu bem querer

Fica no meu colo mais um pouquinho, 

Não tenha pressa em crescer. 

Me envolve com teus bracinhos,

Fecha os olhos devagarinho, 

Me deixa te acalentar, te ninar, te amar. 

Me deixa sonhar que o ninho nunca deixarás

Mesmo quando tuas asas forem grandes o suficiente pra voar, alto, livre, mas sem jamais me esquecer. 

Bebês/ Maternidade

Deus me deu o bebê que eu precisava

O título desse post pode fazer algumas pessoas torcerem o nariz, ou estranharem o “tema religioso” vindo de mim. Então,  antes de mais nada: não, eu não sou uma pessoa religiosa, e na verdade eu nem sigo uma religião.

Outra coisa importante a meu respeito, para entender melhor o contexto desse post, é que sempre fui uma pessoa extremamente racional e desapegada, não no sentido espiritual, zen,  mas no estilo “pedra de gelo” mesmo. Não sei de que outra forma explicar isso. Dizem que é do signo (aquário), mas eu não sei. Só sei que esse é um traço da minha personalidade que me acompanha desde muito cedo. Eu não tinha muitos amigos quando criança, e passava a maior parte do meu tempo em atividades individuais. Eu apreciava brincar sozinha, ler um livro, e fazer trabalhos da escola sozinha também, porque morria de raiva quando as pessoas se “escoravam” em mim, o que acontecia com frequência. 

Nunca tive jeito com crianças. Também não era daquelas pessoas que dizem “eu não gosto de criança”, jamais. Apenas não sabia como lidar, não sabia como me comportar, e também não sentia nada de especial, do tipo “ai meu Deus, amo crianças, vamos assistir uma compilação de vídeos no YouTube só com crianças e bebês”. Eu era apenas indiferente, sei lá. Em várias ocasiões eu me senti culpada e até uma pessoa “má” sabe, porque uma conhecida vinha toda alegre falar sobre ou mostrar fotos dos filhos, e eu nem sabia como reagir. Era esperado de mim, como mulher, que eu ficasse muito interessada no assunto e achasse lindo, mas eu não me sentia assim, não mesmo. Apenas não sentia nada de especial, nenhuma conexão.

Mas eu queria ter filhos um dia, sempre quis. Não sabia explicar racionalmente o porquê, mas queria. 

Enfim.

Em 2016 eu engravidei, e não foi planejado, mas foi uma descoberta muito feliz. Desde o primeiro momento. Tanto pra mim quanto pro meu marido, que, por sinal, tem o maior jeito com crianças e sempre demonstrou isso com muita clareza. 

Eu de repente me descobri super desinformada, não sabia nada mesmo sobre gravidez e bebês. Quando eu descobri que a dilatação, na hora do parto, acontece no colo do útero e não na vagina, por exemplo, morri de vergonha e de pena de mim mesma (kkkkkkkkkkkk hoje dou risada). 

Em síntese, desde o dia em que descobri estar grávida eu comecei a aprender tanta coisa, mas tanta coisa… A maior parte só teoria, né! Mas aprendi. Quando Alice nasceu, aí sim, pode dizer. Em nenhum outro momento na vida eu aprendi tanto, em tão pouco tempo. Continuo aprendendo, lóóógico. Mas é que a primeira semana, o primeiro mês… Foi chocante, não consigo pensar em outra palavra. Porque é tudo muito novo, é uma experiência louca. Sem nem falar sobre as dificuldades da mãe de primeira viagem no puerpério, não tem como se preparar pra esse amor, nessa intensidade. 

Agora, voltando ao assunto do início do post, e o título em si. Sim, eu usei deliberadamente a palavra Deus porque eu acredito que exista algo maior, mas não creio em uma entidade personificada. Tendo a acreditar em uma energia, algo que une tudo e todos. Mas isso não importa. Você pode chamar de Deus, eu posso chamar de Universo, outra pessoa pode chamar de Jah ou Jeová… O que importa pra mim é que não consigo acreditar no puro acaso, em coincidências, pra tudo o que a vida me presenteou. 

Primeiramente, eu precisava de um bebê na minha vida. E acho que posso falar pelo meu marido também nesse sentido. A gente viveu muita coisa legal juntos, viajamos bastante, chegamos num lugar muito bom em nossas carreiras. Mas tanto eu quanto ele damos valor a outras coisas em primeiro lugar, especialmente família. Nunca fomos o tipo de pessoa que coloca a carreira em primeiro lugar sempre. E me faltava algo, eu sentia um pequeno vazio que não se preenchia com as coisas do mundo. Então ela veio, sem planejamento, mas no momento mais perfeito! Não foi um momento de calmaria, pelo contrário: foi um momento de revolução. Ela nos deu um sentido maior, uma orientação na vida.

Em segundo lugar, e mais diretamente ao ponto desse post, eu precisava desse bebê. Em muitos aspectos, Alice é uma bebê “high need“. Apesar de ser muito saudável, ela requer muito da gente, e principalmente de mim. Ela nasceu assim, é da personalidade dela. Ela mama com bastante frequência, só dorme no peito e acorda assim que colocamos no berço. Precisa estar junto, precisa do contato físico. Está sempre mais feliz nos nossos braços, com balanços, com danças, com movimento, com carinho. Quer ver o que fazemos, quer conhecer nosso mundo. Não aceita ficar quietinha num berço ou cercado.

Isso não é uma reclamação, muito pelo contrário. “mas Érika, existem bebês muito mais difíceis” – eu sei! E é por isso que digo que o Universo, ou Deus, me deu o bebê que eu precisava. O que ela requer de  mim, na  verdade, são coisas muito simples. Coisas que ela me ensinou desde o comecinho: o conforto do meu peito, dos meus braços. Estar de fato presente. Dormir e acordar na segurança do meu colo. 

O fato de serem coisas simples, que eu já sei fazer bem, me dá muita segurança como mãe de primeira viagem, pois eu sei que posso seguir meus instintos e vai dar tudo certo. Isso foi muito importante pra mim, porque eu sou uma pessoa insegura, e por não ter tido experiência prévia e nem afinidade com crianças, eu tinha muito medo de fazer tudo errado. 

Mas o fato de serem coisas simples não significa que é fácil. É uma dedicação muito grande, bem maior do que eu esperava. Não existe rotina ou horários muito certos, ela que define a nossa rotina. Aprendi a deixar as coisas fluírem, viver um instante de cada vez, o que diminuiu muito meus problemas com ansiedade. Eu tive que reaprender a fazer as coisas do dia-a-dia com ela no sling, sempre juntinho de mim, o que me ensinou muito sobre cuidar, proteger e nutrir um serzinho que depende de você pra tudo. Tive que redefinir todas as minhas prioridades. Tive que me reinventar, e mergulhei de corpo e alma no ofício de ser mãe em tempo integral. Com isso aprendi a dar valor às pequenas coisas (tipo, um simples banho demorado) e apreciar cada momento com muito carinho: nossa sintonia quando ela está mamando e olha nos meus olhos, suas pequenas mãozinhas segurando na minha roupa, suas risadas mostrando a gengiva sem dente (que não são super frequentes, ela é uma bebê meio ranzinza, então a gente dá ainda mais valor às risadinhas)… Porque tudo passa tão rápido! Logo ela já não vai mais depender tanto assim de mim, um dia já não vai mais buscar conforto no meu peito, e eu não terei mais as soluções para todos os seus problemas. Enquanto esse dia não chega, dou  tudo o que tenho, pois sei que sentirei saudades… E fica esse enorme sentimento de gratidão à Divindade, ao Universo, Jah, Jeová ou Krishna: obrigada por essa linda dádiva na minha vida, e todos os aprendizados que ela me trouxe e ainda me trará.