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Relato de Parto: meu parto natural na água

Foi na madrugada do dia 07 de setembro, o dia em que completava 39 semanas de gravidez, quando comecei a sentir as primeiras contrações. O dia anterior foi engraçado porque alguma coisa dentro de mim parecia dizer que aquele seria o meu último dia grávida; eu saí pra dar uma volta e fazer umas compras, andei bastante (até acredito que isso influenciou) e aproveitei pra curtir um pouco aquele momento. Me maquiei, arrumei o cabelo e tirei umas fotos legais em casa, sozinha, com a máquina no timer mesmo, pra registrar (embora ainda nem imaginasse) aquele que seria o meu último dia com o barrigão da Alice.

um dia antes do parto 🙂

Pois bem; quando fui deitar naquela noite eu comecei a sentir uma coisinha, parecia uma cólica menstrual. Pensei “deve ser só minha ansiedade trabalhando”, mas a coisinha voltava a cada 5, 6 minutos mais ou menos… Comecei a me empolgar – “ai meu Deus, será que chegou a hora?”

Esperei mais de meia hora na cama, contando os intervalos, e já não tinha mais dúvidas; a hora tinha mesmo chegado! Mas eu sabia que poderia demorar muito, ainda estava bem no comecinho. Saí do quarto de fininho e vim pro escritório pra me entreter com alguma atividade, já que eu sabia que não ia conseguir mais dormir. Fiquei um pouco no computador, pintei as unhas, ouvi música e dancei (reggae!), dei uns cochilos. Assim passei a noite toda, no primeiro estágio do trabalho de parto. As contrações ainda eram irregulares, mas não passava mais que 8 minutos. Sempre voltavam.

Por volta das 7 da manhã fui acordar meu marido pra avisar que o dia tinha chegado! Ansiedade, expectativa… Mas estávamos bem tranquilos e conscientes de que poderia levar ainda um bom tempo. Fiz uma receita de brownie vegano entre uma contração e outra, e assim foi passando a manhã. Procurei ficar ativa, em pé, me movimentando a maior parte do tempo. As contrações estavam ficando mais fortes e com um intervalo menor.

A midwife nos orientou a ligar só quando estivesse com contrações regulares durando 1 minuto, com um intervalo de 3 a 4 minutos entre elas por cerca de 2 horas. Não lembro bem a hora que liguei, acho que eram mais ou menos 11:00. Ela disse que iria me ver assim que possível, pois estava visitando outras parturientes. Pela minha voz e pelo que relatei, o trabalho de parto ainda poderia demorar bastante (ela não viu urgência).

Visita da midwife

pouco antes de sair pra casa de parto

pouco antes de sair pra casa de parto

Pouco tempo depois eu senti a bolsa “estourar”. Foi engraçado, e bem diferente do que a gente costuma ver nos filmes! Senti um líquido descer, mas não foi uma quantidade tão grande. Quando fui ao banheiro deu pra ter certeza que não era xixi. Também vi o que parecia ser o tampão. Aí sim, a coisa parece que ficou séria: as contrações foram ficando bem mais fortes. Liguei novamente pra midwife pra contar que a bolsa tinha estourado, ela disse que estava a caminho. Ela chegou aqui às 13:00 pra me ver (12 horas em trabalho de parto). Me examinou, e disse que eu estava com 3 a 4 centímetros de dilatação. Fiquei até um pouquinho desanimada porque achava que estava mais dilatada, a essas alturas! Mas tudo bem. Ela falou que ainda poderia demorar bastante, que ficasse sossegada. Combinamos de nos encontrar na casa de parto. Ela falou que chegaria às 17:00, mas que poderíamos ir antes se quiséssemos – era uma decisão nossa. Resolvemos ir logo (felizmente, como vocês vão ver).

Uma observação: a casa de parto que escolhemos fica dentro de um hospital. É um lugar bem aconchegante, e a gente se sente como se estivesse em casa mesmo, ou melhor, num hotel. O quarto tem uma cama, sofá, mesinha, banheiro com banheira, e todo o suprimento básico pra receber o bebê e cuidar da mãe. Mas tem toda a segurança de estar dentro do hospital, para qualquer eventualidade.

Por volta das 15:00 eu e o marido pegamos as coisas e fomos nos encaminhando pra o hospital. O trajeto de táxi foi bem sofrido por causa das contrações.

Na casa de parto

na partolândia

Quando chegamos no quarto, as contrações já estavam bem intensas. A enfermeira foi super prestativa, perguntando o que eu precisava, e eu só pensava em entrar na banheira, pra ver se aliviava um pouco as dores. Ela preparou a banheira, acho que entrei era mais ou menos 15:40. Até aquele momento eu tava levando tudo numa boa, sabe? Ainda me comunicava com as pessoas e tudo, risos… Mas assim que entrei na banheira, parece que as contrações ficaram ainda mais fortes. Considerando que a minha dilatação ainda estava em 3/4 cm há poucas horas (e levou 12h pra chegar nisso), eu comecei a ficar bastante ansiosa, e tive medo pela primeira vez. Achei que não iria aguentar aquela intensidade por muitas horas.

Foi aí que tive vontade de mudar de posição, porque sentada na banheira como eu estava não rolava mais. Fiquei de joelhos segurando num “poste” que tinha junto da banheira, e quando veio a contração eu não consegui evitar o impulso pra fazer força. Fiquei surpresa porque não achava que já estava na hora, mas era isso, a cada contração vinha uma “vontade” imensa de fazer força, era impossível de evitar.

O mais interessante dessa etapa é que eu percebi que quando mudei de posição a dor ficou muito mais suportável. É como se antes eu estivesse atrapalhando o processo natural do meu corpo. Foi como um “let it go” sabe? Como soltar o freio. Assusta, porque o corpo sai “desenfreado” no processo, mas é libertador! O problema é que a minha midwife tinha combinado de só chegar lá por volta das 17:00, então a enfermeira ficou me aconselhando a respirar, e tentar não fazer força. Tive medo que a bebê nascesse antes dela chegar. Pedi pra enfermeira ligar pra ela, assim a midwife se apressou e chegou lá às 16:15.

Quando a midwife me examinou, e eu já estava com a dilatação completa. Ela até se surpreendeu. Então começou a fase ativa do parto, o que de fato (como já tinha lido em muitos relatos) trouxe um alívio por duas razões: agora eu sabia que estava realmente perto de chegar ao final, e eu finalmente podia participar mais ativamente do processo.

o momento mais lindo

Alice nasceu meia hora depois, às 16:48, dentro da água. Foram apenas 30 minutos de puxo. Na minha memória, parece que foram 2 minutos, porque eu não lembro direito; como algumas pessoas dizem, eu estava pra lá da partolândia nessa hora. Tudo é meio nebuloso. Só lembro de fazer uma força danada sempre que vinha uma contração, e de segurar a mão do meu marido com tanta força que achei que ia quebrar (a mão dele). Ele foi o meu principal apoio, fisicamente e emocionalmente. Acompanhou cada minuto, cada etapa, tentou me ajudar de várias maneiras, segurou minha mão o tempo todo e foi me contando o progresso, porque eu nem queria olhar.  O segundo momento mais lindo daquele dia, pra mim, foi vê-lo segurando nossa menininha. Só perde pro momento que eu a tirei da água assim que ela nasceu <3

A terceira fase

Quando tirei ela da água, éramos as duas chorando, olho no olho, a coisa mais linda e a emoção mais intensa da minha vida até hoje. Nunca vou esquecer esse momento, esse primeiro contato, porque quando a segurei foi muito surreal! Me ajudaram a sair da banheira com ela nos braços, ainda ligada em mim pelo cordão umbilical. Deitei. Colocaram ela no meu peito e ela não demorou nada pra começar a sugar. O cordão só foi cortado depois que parou de pulsar. Papai cortou.

Pouco tempo depois chegou a hora de expulsar a placenta, e essa parte foi bem chata porque eu não esperava que ainda tivesse que fazer força (risos). Umas 2 ou 3 contrações depois ela saiu e foi um alívio tão grande! Uma sensação super estranha, na verdade, porque dá esse alívio de uma coisa que você nem notou que estava te “enchendo”. Uma sensação boa de esvaziar.

Levei 2 pontos de laceração. Um interno e um externo. Tinha medo disso, mas olha que foi bem melhor do que eu esperava.

Levaram ela pra pesar: 3.630 kg de lindeza. Aí finalmente pudemos descansar um pouco e curtir nossa bebê com privacidade. Fui orientada a tomar bastante líquido pois tinha que fazer xixi antes de voltar pra casa, só pra garantir que estava tudo bem. Mais ou menos 2 horas depois a enfermeira veio me ajudar a tomar banho e logo estávamos voltando pra casa.

A minha decisão de ter um parto natural foi baseada em muito estudo, muita leitura que me levou a ter a certeza de que essa seria a melhor opção tanto para minha bebê quanto para mim. Uma decisão muito mais racional que emocional. Não me considero corajosa ou melhor que ninguém por ter feito essa escolha. Mas eu não posso mentir: essa experiência me mudou, me empoderou de uma forma que nenhuma outra experiência seria capaz. Já em casa, segurando minha bebê nos braços, eu me sentia uma super mulher. Essa sensação de poder não tem preço! Naquelas horas mais difíceis do puerpério, eu me lembrava de que fui capaz de passar por todo aquele processo, e isso me fazia sentir forte, capaz de vencer qualquer coisa. É por isso que você vai me ver sempre defendendo o parto natural, e é por isso que eu vou sempre recomendá-lo para qualquer amiga, qualquer mulher que me pergunte a respeito. Anestesia? Você não precisa. Você consegue. Hoje, pra mim, é mais que uma preferência simplesmente racional, baseada em evidências médicas e pesquisas científicas. É também, e ainda mais, uma decisão emocional, pelo grande impacto e empoderamento que essa experiência é capaz de trazer para uma mulher.

Nota: se você tem curiosidade sobre gravidez e parto na Holanda (onde moro), eu falei sobre isso no meu post anterior: pré-natal, parto e pós-parto na Holanda.

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Gravidez na Holanda – pré natal, parto e pós parto

Uma das maiores curiosidades dos meus amigos e familiares brasileiros é com relação ao sistema de saúde holandês, e como são tratados o parto e a gravidez na Holanda. Realmente, o sistema de saúde aqui é bastante diferente do Brasil, e quando se trata de gravidez as diferenças são gritantes! Antes de mais nada, é bom saber que todos os residentes a partir de 18 anos são obrigados a pagarem um seguro de saúde mensal; o valor do seguro básico é tabelado pelo governo, mas voce pode escolher entre diversas empresas que provém o serviço. Esse seguro básico custa uma média de 100 euros por mês, e cobre muita coisa incluindo medicamentos (nem todos, mas uma grande parte sim). O acompanhamento pré-natal, parto (você pode escolher como e aonde) e cuidado pós-parto (1 semana, enfremeira na sua casa) são todos cobertos pelo seguro básico.

De uma maneira geral, tudo aqui parece ser mais simplificado; veja, por exemplo, o uso das bicicletas. Existem mais bicicletas do que pessoas em Amsterdã! Ter carro aqui é ou um luxo ou uma verdadeira necessidade. No caso de necessidade, pode ser para trabalho, ou porque a pessoa mora muito longe, em uma cidade diferente da que trabalha – mesmo nesses casos é de certa forma um luxo, já que o transporte público é excelente e se paga bem caro pra estacionar o carro no centro de Amsterdã, por exemplo.

O sistema de saúde também segue essa filosofia, que parece ser bem típica do Holandês. Não se prescrevem exames e remédios à toa, e você só vai para um especialista após ser encaminhado pelo “médico de família”. Quando você se muda para cá, precisa se registrar em um consultório próximo da sua residência. Qualquer necessidade médica será vista primeiro por esse médico. As consultas são bem rápidas – 15 minutos marcadinhos no relógio. Tudo muito objetivo e prático. Se tiver mais perguntas, precisa marcar outra consulta.

Quando descobri estar grávida, depois de fazer 3 testes de farmácia e todos saírem com resultado positivo, eu marquei a consulta com a médica de família que nos atendia na época. Eu esperava que ela fosse passar exame de sangue (o beta HCG) pra ter certeza, e pra eu ter alguma “prova em papel”, sabe? Acostumada com o Brasil, onde tudo se tem que provar com documentos e recibos, eu já estava contando com isso. Mas não foi assim que aconteceu. Ela só me passou a orientação de começar a tomar vitamina pré-natal, que eu podia comprar em qualquer farmácia (sem necessidade de receita), me deu os parabéns e me recomendou um consultório de midwifes (parteiras, mas espera que vou explicar). Pronto, essa foi a minha única ida ao médico durante toda a gestação.

Na Holanda, gravidez (quando não é de risco) é vista como algo absolutamente natural, e não uma doença. Deve sim, ser monitorada para se ver o progresso, a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê, mas para isso as midwifes são a melhor opção: fazem a gente se sentir bem à vontade, dão um tratamento extremamente humanizado e respeitoso quanto às escolhas de cada grávida e são altamente qualificadas no quesito médico (elas têm uma formação própria que parece ser um misto de enfermagem e medicina). Eu não gosto de usar a tradução literal “parteira” porque a idéia que a gente tem (pelo menos, a idéia que eu tinha) de uma parteira no Brasil é bem diferente das midwifes aqui.

A primeira consulta durou 1 hora, foi a mais longa, porque ela explica como tudo funciona (o pré-natal, exames, uma idéia geral sobre opções de parto aqui etc) e pergunta várias coisas (relacionadas a saúde e genética) pra traçar um perfil médico e ver se há alguma probabilidade de complicações na gravidez ou de problemas genéticos para o bebê. Se for constatado que a gravidez pode ser de risco, a grávida é encaminhada para um obstetra, mas se a gravidez não é de risco as midwifes farão o acompanhamento até o pós parto.

Pré-Natal

Logo na primeira consulta recebemos um envelope onde vamos guardar todos os exames e documentos, e devemos levá-lo para todas as consultas. Nada sofisticado, é bem simples mesmo, de um lado tem espaço para anotarem as datas das próximas consultas, e do outro lado tem um resumo geral de como acontece o pré-natal e o que esperar de cada consulta.

O “envelope”. O consultório de midwifes que me acompanhou foi o “Verloskundigen 101” , que em Holandês significa “Parteiras 101”

Também recebemos dois livrinhos, um sobre gravidez e o outro sobre amamentação. Esses livrinhos são parte de uma coleção que acompanha o bebê desde a gravidez até a adolescência. Eles possuem orientações para os pais, muitas dicas importantes, e explicam também como tudo funciona por aqui (parto, primeiros exames, vacinas, acompanhamento do bebê etc). O melhor é que eles têm os livrinhos todos em inglês também, para as famílias que não falam holandês. Isso é uma iniciativa do próprio governo, não é de uma instituição ou hospital específico. Achei uma iniciativa super legal, para garantir que as futuras mães tenham acesso à informação, independente de status ou classe social.

Growth Guide. Na esquerda, os dois primeiros volumes que você recebe no início da gravidez. Na direita, o terceiro e quarto volumes, que você recebe depois do parto.

O primeiro ultra-som é feito com 10 semanas, junto com exames de sangue. Opcionalmente, você pode fazer o exame combinado que indica a probabilidade do bebê ter defeitos congênitos incluindo síndrome de dawn. Esse exame combinado se chama assim porque é feito com uma ultrassonografia e um exame de sangue. O seguro não cobre esse exame. Nós optamos por fazer. Ele é feito por volta da semana 12.

Uma segunda ultrassonografia é feita com 20 semanas, pra ver o desenvolvimento do bebê. Caso não haja nenhuma indicação de problemas no restante da gravidez, ou nenhum motivo para dar mais uma olhadinha, eles não pedem mais nenhum ultrassom. Oficialmente, são 2 ultrassonografias. Eu fiz mais porque quis fazer o exame combinado e também quis fazer a ultrassonografia 4d. Além disso, na ultrassonografia de 20 semanas a médica achou que a minha placenta estava um pouquinho baixa, então foi recomendada uma nova ultrassonografia com 30 semanas (em 90% dos casos a placenta se ajusta com o crescimento do útero, e foi o que aconteceu).

Alice na ultra-som 4d

Parto

Aqui na Holanda existem basicamente 3 opções para você ter o seu bebê: em casa, em uma casa de parto ou em um hospital. Ao contrário do que muita gente de fora pensa (eu também achava isso), os partos em casa, apesar de serem mais comuns aqui que na maioria dos países, não são a maioria por aqui. A maioria das mulheres opta por ter o parto em hospital. Mas olha, quando falo parto em hospital, é parto normal mesmo viu? Aqui a gente não escolhe ter parto por cesareana. Isso acontece apenas quando há indicação médica, onde há risco para a mãe ou para o bebê.

O parto humanizado aqui é o padrão. Não se faz episiotomia. Indução de parto só acontece passadas 42 semanas de gestação ou caso haja algum risco e seja realmente necessário adiantar o processo natural.

As casas de parto são uma opção muito legal porque são um meio-termo entre o parto em casa e o parto no hospital. Os quartos têm uma atmosfera bem caseira, parecem um hotel, geralmente possuem banheira onde você pode (tentar) relaxar pra aliviar as dores das contrações e também pode optar por ter o bebê dentro da água. Para o meu parto, optei por uma casa de parto que fica dentro de um hospital, em um andar separado, e também optei por um parto na água – isso foi resolvido na verdade diretamente com a minha midwife. O que acontece é que as casas de parto oferecem apenas a estrutura e o apoio de uma enfermeira, mas a sua midwife é que vai fazer o parto. O fato da casa de parto ser dentro do hospital nos deu bem mais segurança. Felizmente não precisei de nenhuma intervenção médica, mas para uma mãe de primeira viagem essa sensação de segurança, ainda assim tendo toda a atmosfera de um parto em casa, faz toda a diferença.

suíte onde a Alice nasceu <3

Se você tem a intenção de usar anestésicos como a epidural, precisa optar pelo hospital, para ter o acompanhamento necessário. No hospital, as mães ficam em quartos individuais, e ao nascer os bebês são mantidos no quarto com a mãe o tempo inteiro. Você também pode ter um parto natural, sem anestésicos, no hospital.

Outras práticas comprovadamente muito benéficas para os bebês que são comuns aqui, independentemente se você opta por parto em casa, na casa de parto ou no hospital: o cordão umbilical só é cortado após parar de pulsar; o bebê é levado para o peito da mãe imediatamente após nascer, e o contato pele-a-pele é respeitado e encorajado na primeira hora (pesagem e outras coisas são feitas depois). Os bebês não são aspirados e não é dado banho.

Quando tudo corre bem, a mãe é liberada pra ir pra casa em 2 ou 3 horas depois do parto. Na casa de parto em que tive meu parto, eles pedem gentilmente que você respeite esse tempo para não ocupar o quarto mais tempo que o necessário, afinal outras mamães podem precisar da vaga. Eu estava de volta em casa 3 horas após Alice ter nascido, o que foi ótimo na minha opinião.

Pós Parto

Uma das melhores coisas de se ter um bebê na Holanda é o cuidado pós parto que recebemos. Por uma semana, uma enfermeira vem diariamente na nossa casa para ajudar com o bebê e ensinar um monte de coisas pra gente. Eu sinceramente não sei o que seria de nós sem essa ajuda! Mesmo tendo lido uma pilha de livros sobre gravidez, parto e bebês (além de ter passado horas e horas lendo blogs na Internet sobre esses assuntos), a prática é sempre muito diferente da teoria, e é muito difícil se sentir segura quando você tem experiência zero com bebês. A cada dia, era um novo drama que ela resolvia: ela chegava de manhã, e eu ia contar o que tinha acontecido de noite (sempre uma novidade – bebê não queria dormir, bebê chorou por horas a fio, bebê fez cocô estranho) e a enfermeira ia me tranquilizar e explicar que era tudo normal e dar orientações de como resolver os problemas ou como lidar com a situação. Ela também insistia para que eu descansasse e me fazia prometer que iria tirar uma soneca à tarde quando a bebê dormisse 😀

Recadinho da enfermeira – ela dizia que eu era “too sweet” por deixar Alice dormir no peito e ficar com ela no braço muito tempo, de madrugada. “O plano” era colocar ela no berço assim que ela dormisse, e ficar repetindo até ela dormir de vez. Tentei, mas isso só me cansou e me estressou.  Com o passar do tempo ela aprendeu  sozinha a diferenciar o dia da noite, e começou a dormir melhor. Mas o que me salvou nessa época foi começar a trazer ela pra dormir na cama comigo. 

Recebemos mais um livrinho da coleção (conhecido aqui como “o livro verde”) com um monte de dicas para o pós parto, e uma parte do livro que era como um diário, para que a enfermeira anotasse tudo sobre o desenvolvimento do bebê e a recuperação da mãe. Nesse “diário” também tem uma área pra anotarmos as mamadas e fraldas do bebê, assim a enfermeira monitora o progresso da amamentação pra ter certeza que o bebê está recebendo toda a nutrição que precisa. A enfermeira inclusive pede para guardarmos as fraldas pra que ela cheque pela manhã, assim ela tem uma idéia melhor. Ela também faz pesagens para ver o ganho de peso da criança. Tudo é anotado no livrinho. Durante a primeira semana você também recebe a visita em casa de profissionais de saúde que fazem o teste do pézinho e o teste de audição.

acompanhamento do bebê pós parto

Passada a primeira semana, a midwife vai fazer uma visita na sua casa para ver como está a recuperaçao pós parto e retirar os pontos, caso você tenha levado algum ponto de laceração. A próxima e última consulta com a midwife acontece com 6 semanas depois do parto, para ver se está tudo bem com a mamãe e tirar quaisquer dúvidas, incluindo orientação sobre voltar a usar um método contraceptivo pois mesmo amamentando há o risco de ocorrer ovulação.

Após esse período inicial, o acompanhamento do bebê passa a ser feito por uma instituição governamental chamada GGD (uma sigla para “Serviços de Saúde da Comunidade”. Eles acompanham o desenvolvimento  do bebê (crescimento e saúde em geral) e são responsáveis por toda a vacinação também.

Bom, espero que esse post tenha servido pra matar a curiosidade de quem já ouviu falar sobre gravidez e parto na Holanda e queria saber se era tudo isso que falam mesmo 🙂 pois é, pode acreditar: é tudo isso e muito mais 😀

Update: para não dizer que tudo são flores aqui na Holanda, a licença maternidade / paternidade deixa bastante a desejar. Para a mãe são 16 semanas, até aí OK (nada demais mas também não dá pra reclamar muito), porém o pai só ganha 2 diazinhos! Acho um absurdo :/