Browsing Tag:

criação com apego

Bebês/ Maternidade

Deus me deu o bebê que eu precisava

O título desse post pode fazer algumas pessoas torcerem o nariz, ou estranharem o “tema religioso” vindo de mim. Então,  antes de mais nada: não, eu não sou uma pessoa religiosa, e na verdade eu nem sigo uma religião.

Outra coisa importante a meu respeito, para entender melhor o contexto desse post, é que sempre fui uma pessoa extremamente racional e desapegada, não no sentido espiritual, zen,  mas no estilo “pedra de gelo” mesmo. Não sei de que outra forma explicar isso. Dizem que é do signo (aquário), mas eu não sei. Só sei que esse é um traço da minha personalidade que me acompanha desde muito cedo. Eu não tinha muitos amigos quando criança, e passava a maior parte do meu tempo em atividades individuais. Eu apreciava brincar sozinha, ler um livro, e fazer trabalhos da escola sozinha também, porque morria de raiva quando as pessoas se “escoravam” em mim, o que acontecia com frequência. 

Nunca tive jeito com crianças. Também não era daquelas pessoas que dizem “eu não gosto de criança”, jamais. Apenas não sabia como lidar, não sabia como me comportar, e também não sentia nada de especial, do tipo “ai meu Deus, amo crianças, vamos assistir uma compilação de vídeos no YouTube só com crianças e bebês”. Eu era apenas indiferente, sei lá. Em várias ocasiões eu me senti culpada e até uma pessoa “má” sabe, porque uma conhecida vinha toda alegre falar sobre ou mostrar fotos dos filhos, e eu nem sabia como reagir. Era esperado de mim, como mulher, que eu ficasse muito interessada no assunto e achasse lindo, mas eu não me sentia assim, não mesmo. Apenas não sentia nada de especial, nenhuma conexão.

Mas eu queria ter filhos um dia, sempre quis. Não sabia explicar racionalmente o porquê, mas queria. 

Enfim.

Em 2016 eu engravidei, e não foi planejado, mas foi uma descoberta muito feliz. Desde o primeiro momento. Tanto pra mim quanto pro meu marido, que, por sinal, tem o maior jeito com crianças e sempre demonstrou isso com muita clareza. 

Eu de repente me descobri super desinformada, não sabia nada mesmo sobre gravidez e bebês. Quando eu descobri que a dilatação, na hora do parto, acontece no colo do útero e não na vagina, por exemplo, morri de vergonha e de pena de mim mesma (kkkkkkkkkkkk hoje dou risada). 

Em síntese, desde o dia em que descobri estar grávida eu comecei a aprender tanta coisa, mas tanta coisa… A maior parte só teoria, né! Mas aprendi. Quando Alice nasceu, aí sim, pode dizer. Em nenhum outro momento na vida eu aprendi tanto, em tão pouco tempo. Continuo aprendendo, lóóógico. Mas é que a primeira semana, o primeiro mês… Foi chocante, não consigo pensar em outra palavra. Porque é tudo muito novo, é uma experiência louca. Sem nem falar sobre as dificuldades da mãe de primeira viagem no puerpério, não tem como se preparar pra esse amor, nessa intensidade. 

Agora, voltando ao assunto do início do post, e o título em si. Sim, eu usei deliberadamente a palavra Deus porque eu acredito que exista algo maior, mas não creio em uma entidade personificada. Tendo a acreditar em uma energia, algo que une tudo e todos. Mas isso não importa. Você pode chamar de Deus, eu posso chamar de Universo, outra pessoa pode chamar de Jah ou Jeová… O que importa pra mim é que não consigo acreditar no puro acaso, em coincidências, pra tudo o que a vida me presenteou. 

Primeiramente, eu precisava de um bebê na minha vida. E acho que posso falar pelo meu marido também nesse sentido. A gente viveu muita coisa legal juntos, viajamos bastante, chegamos num lugar muito bom em nossas carreiras. Mas tanto eu quanto ele damos valor a outras coisas em primeiro lugar, especialmente família. Nunca fomos o tipo de pessoa que coloca a carreira em primeiro lugar sempre. E me faltava algo, eu sentia um pequeno vazio que não se preenchia com as coisas do mundo. Então ela veio, sem planejamento, mas no momento mais perfeito! Não foi um momento de calmaria, pelo contrário: foi um momento de revolução. Ela nos deu um sentido maior, uma orientação na vida.

Em segundo lugar, e mais diretamente ao ponto desse post, eu precisava desse bebê. Em muitos aspectos, Alice é uma bebê “high need“. Apesar de ser muito saudável, ela requer muito da gente, e principalmente de mim. Ela nasceu assim, é da personalidade dela. Ela mama com bastante frequência, só dorme no peito e acorda assim que colocamos no berço. Precisa estar junto, precisa do contato físico. Está sempre mais feliz nos nossos braços, com balanços, com danças, com movimento, com carinho. Quer ver o que fazemos, quer conhecer nosso mundo. Não aceita ficar quietinha num berço ou cercado.

Isso não é uma reclamação, muito pelo contrário. “mas Érika, existem bebês muito mais difíceis” – eu sei! E é por isso que digo que o Universo, ou Deus, me deu o bebê que eu precisava. O que ela requer de  mim, na  verdade, são coisas muito simples. Coisas que ela me ensinou desde o comecinho: o conforto do meu peito, dos meus braços. Estar de fato presente. Dormir e acordar na segurança do meu colo. 

O fato de serem coisas simples, que eu já sei fazer bem, me dá muita segurança como mãe de primeira viagem, pois eu sei que posso seguir meus instintos e vai dar tudo certo. Isso foi muito importante pra mim, porque eu sou uma pessoa insegura, e por não ter tido experiência prévia e nem afinidade com crianças, eu tinha muito medo de fazer tudo errado. 

Mas o fato de serem coisas simples não significa que é fácil. É uma dedicação muito grande, bem maior do que eu esperava. Não existe rotina ou horários muito certos, ela que define a nossa rotina. Aprendi a deixar as coisas fluírem, viver um instante de cada vez, o que diminuiu muito meus problemas com ansiedade. Eu tive que reaprender a fazer as coisas do dia-a-dia com ela no sling, sempre juntinho de mim, o que me ensinou muito sobre cuidar, proteger e nutrir um serzinho que depende de você pra tudo. Tive que redefinir todas as minhas prioridades. Tive que me reinventar, e mergulhei de corpo e alma no ofício de ser mãe em tempo integral. Com isso aprendi a dar valor às pequenas coisas (tipo, um simples banho demorado) e apreciar cada momento com muito carinho: nossa sintonia quando ela está mamando e olha nos meus olhos, suas pequenas mãozinhas segurando na minha roupa, suas risadas mostrando a gengiva sem dente (que não são super frequentes, ela é uma bebê meio ranzinza, então a gente dá ainda mais valor às risadinhas)… Porque tudo passa tão rápido! Logo ela já não vai mais depender tanto assim de mim, um dia já não vai mais buscar conforto no meu peito, e eu não terei mais as soluções para todos os seus problemas. Enquanto esse dia não chega, dou  tudo o que tenho, pois sei que sentirei saudades… E fica esse enorme sentimento de gratidão à Divindade, ao Universo, Jah, Jeová ou Krishna: obrigada por essa linda dádiva na minha vida, e todos os aprendizados que ela me trouxe e ainda me trará.