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Gravidez/ Maternidade

Por uma maternidade mais positiva 

Maternar é difícil sim. Rola medo, insegurança, uma puta solidão… E cansaço, muito cansaço. Isso aí é o pacote padrão. Acontece que cada pessoa tem uma experiência de vida muito particular, e existe uma série de fatores que podem ajudar ou atrapalhar na vivência da mulher que se torna mãe – esses são os “extras”: situação financeira, rede de apoio (ou ausência total de uma), saúde (física e mental), participação do pai na criação do bebê, educação /acesso a informação de qualidade, e até mesmo a forma que aquela mulher mãe vivenciou a experiência do parto. Uma mulher que sofre violência obstétrica tem mais chances de ter dificuldades iniciais com a amamentação e problemas na recuperação pós parto, o que certamente irá deixar muitas impressões negativas em sua experiência como um todo. 

Mas deixa eu te dizer uma coisa: na verdade, não é que a maternidade seja difícil. *Viver* é difícil. Na maternidade a gente se dá mais conta disso, porque fica tudo muito exposto, à flor da pele: sentimentos muitas vezes contraditórios, incertezas, culpa. Tudo potencializado pelo desejo de fazer sempre o melhor pela cria. Claro que, da mesma forma que os sentimentos negativos são potencializados, os sentimentos positivos são se transbordar o coração: amor, de um jeito que você nunca imaginou. Devoção. Gratidão. Um sentimento de estar (quase) sempre maravilhado pela mágica que é o desenvolvimento de um bebê. 

A forma que a gente encara isso tudo é que faz a diferença. No dia em que você enxergar as dificuldades da vida como um mecanismo de aprendizado e melhoramento pessoal, quando você conseguir extrair o que cada experiência tem a te ensinar e o lado positivo de cada coisa, você se sentirá livre. Livre, porque você sai de uma posição de vítima para uma posição de poder, de protagonista. 

“Ah, mas isso que estou passando não está certo, não é justo comigo.” Quando a gente se apega a esse pensamento, ficamos inertes, e com a inércia não tem mudança, não tem progresso. É como se tivesse uma âncora presa nos nossos pés. Eu sei que isso parece papo de auto-ajuda, mas que seja, porque não tem coisa melhor que enxergar um padrão que se repete na nossa vida e conseguir modificá-lo. 

Vai ter momento difícil? Vai. Tem como ser “zen” o tempo inteiro? Eu não sei, eu mesma não consigo. Mas tento. Respiro fundo, penso em soluções. Plano A, plano B, plano C. “Putz, não acredito que ela já acordou. Tá cedo demais pra pensar”. Respira, não pensa muito então. Olha bem pro rostinho desse bebê, e lembra que daqui uns anos tudo será diferente e você sentirá saudades… 

Gravidez

A sua barriga jamais será a mesma

Uma das coisas que a gente ouve e nos dá medo quando estamos grávidas pela primeira vez é que “a sua barriga jamais será a mesma”…

Sim, a minha barriga nunca mais será a mesma de antes. Antigamente, quando passava as mãos pela minha barriga, eu sentia por vezes vergonha ou insegurança. A relação que tinha com o meu corpo não era saudável: eu me sentia incapaz, por não alcançar o ideal das revistas. Hoje, quando passo as mãos pela minha barriga, eu sinto orgulho! Sinto uma extrema admiração pelo meu corpo, por ter sido um casulo perfeito, capaz de gerar um ser humano e sustentá-lo por 9 meses. Me vêm apenas lembranças boas, e até saudades… Como era bom sentir a vida crescendo na minha barriga! Tanto movimento, tanta expectativa. Acordar com pequenos chutes, tentando adivinhar a posição em que o bebê estava. 

Sim, a minha barriga nunca mais será a mesma de antes. Quando olho no espelho, não vejo uma pele flácida ou estrias; vejo um receptáculo fantástico que abrigou o meu bebê por 9 meses. Vejo uma máquina maravilhosa de criar e sustentar vida, aperfeiçoada por milhões de anos de evolução, capaz de transformar minúsculas células em um ser humano perfeito, novo em folha. 

Eu não sinto vergonha das minhas marcas: pelo contrário. Carrego-as com o orgulho de quem de repente descobriu uma força oculta, um poder que estava adormecido. Meu corpo é fantástico!

Maternidade

Romantização x Demonização

Ultimamente tenho visto cada vez mais textos e postagens nas redes sociais criticando e combatendo a romantização da maternidade. Na verdade, salvo um post aqui e ali falando positivamente sobre o ofício de ser mãe e o amor incondicional que a gente descobre, os posts que mostram as dificuldades e sofrimentos da maternidade, muitas vezes ilustrados por imagens de “expectativa vs realidade” são a maioria! Então, será que estamos mesmo vivenciando uma romantização da maternidade, ou esses valores já se inverteram sem que a gente se desse conta, e agora o que está em alta mesmo é a demonização da maternidade? 

Eu não sei, mas acredito que precisamos buscar um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos. Maternar é difícil, mas quem disse que viver, no geral, seria fácil, somente curtição? A vida é cheia de desafios e etapas, e é exatamente nesse caminhar que aprendemos a ser pessoas melhores. É nisso que acredito; acho que a evolução e melhoramento como indivíduo é o ofício do ser humano, o fato de sermos seres inteligentes nos traz imensa responsabilidade. 

O bom da maternidade é que você tem 9 meses pra se preparar. Isso é quase um ano! A natureza é muito sábia, por isso não traria uma mudança desse calibre na sua vida de um dia pra noite. Então, ao invés de absorver toda a negatividade dos que demonizam a maternidade ou se alienar com a superficialidade das otimistas congênitas,  procure informação real, fatos. Procure relatos de experiências pessoais também, mas sempre tendo em mente que todo mundo tem experiências diferentes. Leia um bom livro sobre amamentação, mas não esqueça que o parto e as intervenções sofridas pela mãe e pelo bebê também vão influenciar o sucesso da amamentação. E quando o parto empodera a mulher, imagina como isso influencia o puerpério? Está tudo conectado. Mas não acredite em mim, busque se informar de verdade. Esse é o preparo. 

Primeiro se empodere com conhecimento, para que depois possa se empoderar com a experiência.